O ano de 2019 foi favorável para as companhias aéreas brasileiras e, inclusive, marcado pela chegada de novas companhias low cost, como a chilena Sky Airline, a norueguesa Norwegian e a Air China no Brasil. No entanto, o aumento de casos infectados no país pelo novo coronavírus, trouxe uma crise econômica que está afetando, principalmente, o setor de turismo.

Vivendo na contramão de um grande ano para a expansão do setor aéreo no Brasil, as companhias aéreas estão lutando para sobreviver. Com o alto índice de cancelamento e remarcação de voos, não tem sobrado muito recurso para pagar os funcionários e muito menos para manter grandes aeronaves em solo. Esse problema ainda está longe de ser resolvido e, infelizmente, prestes a piorar.

Quanto Gasta Uma Aeronave Parada?

Para se ter uma ideia, um arrendamento de uma aeronave pode chegar a US$ 100 milhões, a exemplo do Boeing 737-800 (modelo utilizado pela Gol). Este valor pode ser dividido em parcelas mensais e, em plena operação, seu gasto mensal gira em torno de US$ 500 mil.

As companhias aéreas conseguem cobrir os custos da mensalidade e dos gastos com o avião, desde que este esteja trabalhando, mas isso não tem acontecido com toda a capacidade no último mês, pois toda a malha aérea brasileira foi reduzida drasticamente em março, e como falamos, a tendência para os próximos meses é que essa porcentagem seja ainda maior.

Só estando parado, um avião gasta entre R$ 20 mil e R$ 120 mil mensais (dependendo do tamanho da aeronave). A este valor, deve-se somar as revisões mensais (cerca de R$ 13 mil) e o aluguel do estacionamento em hangares e aeroportos, ou seja, é um grande investimento.

As maiores companhias aéreas que atuam no Brasil já registraram o lucro do mês passado. Veja a diferença em relação à mesma época no ano de 2019:

 

Como é a Manutenção de Um Avião em Solo?

Marcelo Bento, diretor de relações institucionais da Azul afirma que deixar um avião no solo envolve uma série de atividades de manutenção de rotina, fora o valor pago pelo hangar, se um avião está no solo há 24 horas sem previsão de vôo, já é necessário fazer a preservação ativa, que demora no mínimo um dia para ser feita.

Nesse processo, é preciso tapar as janelas do cockpit para evitar que a incidência de luz e calor danifique o painel de comando, vedar turbinas sensores e outros orifícios da aeronave para evitar o acúmulo de sujeira e umidade, além de desconectar a bateria.

Quais danos as aeronaves sofrem ao ficarem paradas?

As áreas que contém metal exposto ainda recebem óleo para evitar ferrugem e o tanque de combustível precisa estar no mínimo, 10% cheio para evitar ressecamento.

“Uma vez por semana, drenamos o tanque e verificamos se houve infiltrações. A cada 15 dias, é ligada a unidade auxiliar de potência e movimentamos o comando da aeronave”, diz Alexandre Peronti,diretor de manutenção da Latam. Além disso, para as aeronaves que permanecem em solo por mais tempo, ainda é preciso ligar as turbinas em e testar a pressurização.

Todos esse processos envolvem grandes quantias de dinheiro que as companhias estão preocupadas se irão conseguir suprir. Marcelo Bento, diretor de relações institucionais da Azul, acredita que “se conseguirmos voltar aos níveis de março (de 2019) até o fim do ano, será um milagre.”

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